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terça-feira, 13 de julho de 2010
"Fiscal Fibs and Follies", Barry Eichengreen (13.07.2010)
O debate sobre a consolidação orçamental e o estado da economia tem estado dividido em dois campos. Por um lado, os que defendem que se deve reduzir os défices dos Estados rapidamente, de forma a inspirar confiança nos mercados. Por outro, os que defendem que os Governos ainda devem continuar com políticas expansionistas, gerando mais dívida pública para instigar o crescimento económico.
Para o autor, professor em Berkeley, a resposta depende do país. Para Portugal, Espanha e Grécia, privilegie-se o controlo da despesa:
"Here, the plausible passengers are southern European firms. They understand that their countries’ fiscal positions are unsustainable. They know that debt default would be disruptive. Seeing the economy hurtling toward a brick wall, they are holding their collective breath, while evidence that the government is serious about stepping on the brake can induce them to exhale. In this case, fiscal consolidation is likely to affect their investment spending positively.
This does not mean that Greece, Portugal, and Spain will expand as robustly as Denmark, Ireland, and Finland did in the 1980’s and 1990’s. They can’t lower the exchange rate to aid exports. But they can reduce interest rates by eliminating the perceived risk of sovereign default. Banks will be able to borrow from one another for less, and thus able to lend to firms for less. This suggests that investment may respond better than the pessimists fear."
Para os EUA, China, Alemanha e Japão, continuem os incentivos:
"But what might work in southern Europe has no chance of working elsewhere. In other G-20 economies, including the United States, Germany, China, and Japan, the car is still cruising down an open road. Fiscal velocity may be considerable – that is, deficits may be large – but there is no sign of a brick wall ahead. Interest rates on government debt are still low. If the passengers were growing restive, they would rise. At this point, they have not.
In these countries, there is therefore no reason to think that fiscal consolidation would have a strong positive effect on confidence. That possibility could arise sometime in the future, when the proverbial brick wall comes into view. But it is not on the horizon yet, which means that there would be no positive private-spending response to buffer public-spending cuts. As a result, budget cuts would be strongly contractionary."
quarta-feira, 23 de junho de 2010
"A Way to Rescue Greece", Michael J. Strauss (21.06.2010)
O autor faz uma proposta: para ajudar a Grécia a resolver a sua crise económica, que tal pensar-se em arrendar (lease) uma ou duas das suas ilhas a um outro país? Parece estranho, mas na realidade já foi feito algumas vezes: Hong Kong, Canal do Panamá, Guantánamo. E até a própria Grécia já o fez, no final do século XIX. Depois de entrar em bancarrota, este país chegou a acordo com os países credores e estes últimos ficaram com os direitos de recolher impostos alfandegários futuros em alguns portos para ajudar a pagar a dívida.
Esperemos não chegar a ter de arrendar uma ilha dos Açores no futuro... :)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
"The pain in Spain", Charlemagne (3.6.2010)
Em Espanha, como em Portugal, os funcionários públicos não podem, basicamente, ser despedidos. O texto dá um exemplo ilustrativo do ridículo a que pode chegar a situação: o governo de Madrid resolveu reduzir a sua frota automóvel, reduzindo em 48 o seu número (eram 125), e trocando as limusinas por modelos mais baratos. Mas, paradoxalmente, não pôde despedir os motoristas. Mas é pior: não os pôde também mandar para outra função (só poderia com o seu consentimento). É que os funcionários públicos não podem ser obrigados a mudar de posto, nem de serviço. Mas há mais problemas. A taxa de absentismo é elevada (18%) mas os funcionários continuam a poder faltar ao trabalho, 3 dias seguidos, sem atestado médico (aqui em Inglaterra são 7 dias, mas as taxas de absentismo são mais baixas: questões de cultura). Depois, se se quiser recrutar um profissional de qualidade excepcional (por exemplo, um cirurgião reputado), não se lhe pode oferecer um salário melhor, pois todos vencem o mesmo. E se o Estado decidir privatizar alguma empresa estatal, fica com um enorme ónus: se os compradores decidirem despedir alguns trabalhadores para fazer emagrecer a empresa, o Estado tem de os contratar de novo, obrigatoriamente.
Portugal padece de muitas destas maleitas, mas não fazia ideia que o mercado laboral em Espanha era ainda mais rígido do que no nosso País. Não admira por isso que a taxa de desemprego por lá já ande nos 20% (entre os jovens, 40%). Lá, como cá, o mercado laboral protege os que estão no sistema, em detrimento dos restantes. É, por isso, um entrave para a economia.
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sábado, 5 de junho de 2010
"The grasshoppers and the ants – a modern fable", Martin Wolf (25.05.2010)
Esta fábula é provavelmente a melhor descrição do estado da economia mundial que já li. E tem continuação...
sábado, 13 de março de 2010
"Europe's engine", The Economist Leaders (11.03.2010)
Como conciliar os alemães poupados e exportadores, com os PIGS (Portugal, Irlanda/Itália, Grécia e Espanha), gastadores e mandriões? Não é fácil, mas para manter a União não será só necessário que estes últimos se comecem a comportar melhor (embora seja fundamental). Além de nós nos comportarmos mais como eles, é provavelmente também necessário que os alemães comecem a ser um pouquito como nós: aumentando o consumo e o investimento interno.
Os países com excedentes orçamentais tendem a considerar-se virtuosos, rotulando os outros de pródigos (o que é em grande parte verdade). Mas se quisermos mesmo ter aqui uns Estados Unidos da Europa, é importante reduzir os desequilíbrios entre países. E todos têm de mudar um pouco. Curiosamente.
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